 créditos: Mary Hellen Botelho
Toda gestação é uma surpresa às mamães e aos familiares e está sempre cercada de zelo para evitar qualquer contratempo. Entretanto, algumas vezes as crianças “decidem” nascer antes da hora e deixam todos apreensivos. Afinal, bebês prematuros são frágeis e vivem cercados de riscos à saúde.
Além dos problemas visíveis, eles podem carregar sequelas motoras e cognitivas para o resto da vida.
Tendo em mente esta preocupação, as professoras e fisioterapeutas da Unifesp, Raquel de Paula Carvalho, Cristina dos Santos Cardoso de Sá, Milena Vidotto Crescentini e Ana Carolina Sartorato Beleza, desenvolveram o Programa de Acompanhamento de Bebês Prematuros. Para colocá-lo em prática, elas contaram com o aval da supervisora do Serviço de Fisioterapia da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos, Sarita Barbosa Sanches Pereira.
De acordo com Raquel, ela e sua colega de trabalho, Cristina, já haviam trabalhado em programas de intervenção precoce para bebês de risco para alterações no desenvolvimento (UFSCAR e USP-SP, respectivamente), há mais de 10 anos. “Nós percebemos que podíamos atender essas crianças justamente por termos experiência na área. Em março do ano passado, elaboramos o projeto e, em agosto, começamos a praticá-lo, sempre contando com o apoio das fisioterapeutas Sarita Barbosa Sanches Pereira e Andréa Aparecida Espírito Santo Flor e da médica-chefe da UTI neonatal, Sandra Cristina Cezar”.
O trabalho, que funciona todas as segundas-feiras, das 14 às 16 horas e conta com a presença de dez alunos do curso, tem como principal objetivo atender os bebês prematuros nascidos no hospital, especialmente por meio do SUS, oferecendo um serviço especializado àqueles que apresentam risco de seqüelas neurológicas.
O convite é feito às mamães ainda na UTI neonatal, pela médica-chefe, ou na maternidade. “Essa iniciativa é novidade aqui na região. Sem dúvidas, o programa tem papel fundamental no desenvolvimento motor e respiratório das crianças prematuras, pois pode evitar que ela tenha problemas futuros devido ao nascimento antecipado. Além deste benefício, as mamães companham o trabalho de perto recebendo orientações para cuidar de si e do filho”, comenta a Sarita.
Entre os sintomas que são diagnosticados pelas professoras estão o atraso para sustentar a cabeça, sentar, engatinhar, andar e algumas dificuldades com a parte respiratória. “Ao todo, temos 30 bebês que passam pela avaliação da fisioterapia uma vez por mês. Dois destes apresentaram alguns sinais de atraso na aquisição neuropsicomotora e começaram a receber estimulação semanalmente. É importante destacar que a avaliação e o tratamento são feitos apenas pelas professoras”. conta a professora Cristina.
Vale reforçar que receber acompanhamento específico logo após deixar a UTI ou a maternidade é um aspecto importante à saúde da criança. “Se a intervenção for iniciada precocemente, os sintomas de fragilidade motora e cognitiva diminuem. Caso contrário, as repercussões podem se estender até a fase escolar e comprometerão o aprendizado e o desenvolvimento físico desta criança”, diz Raquel.
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